Planejamento da próxima safra de soja começa agora: veja como otimizar o manejo fitossanitário
Na maior parte do país, a safra de soja 2025/26 avança em ritmo acelerado, e os produtores concentram seus esforços para garantir os melhores resultados ao final do ciclo. Contudo, este também é um momento estratégico para antecipar ações e minimizar problemas que possam surgir na próxima safra. “O planejamento da próxima safra começa nesta”, resume Neucimara Ribeiro, fitopatologista da GDM Seeds.
Não existe planejamento fitossanitário sem a compreensão do histórico da área, algo indispensável para o agricultor e para seu assistente técnico de confiança. Apenas com base no histórico, é possível entender quais são os problemas recorrentes daquela região, propriedade ou até mesmo de talhões específicos, e quais ações já foram adotadas em safras anteriores.
— O ponto de partida é o produtor conhecer bem sua área e entender o histórico de doenças da sua região. E com base nessas informações, procurar as variedades adequadas para sua realidade — cita a fitopatologista.
Apesar de ser essencial compreender esse histórico, cada safra é única e as condições climáticas do ano exercem forte influência sobre o rumo da safra.
— Anos mais secos vão predispor a ocorrência de doenças como oídio e macrofomina, por exemplo. Já anos mais chuvosos podem acarretar ferrugem-asiática, phytophthora e pythium — menciona.
[H2] Monitoramento da área contribui para um manejo mais eficiente e barato
O monitoramento contínuo da lavoura de soja é determinante para o sucesso da safra. Mesmo com um planejamento bem definido, as condições da área podem mudar rapidamente e somente visitas frequentes ao campo permitem uma melhor identificação de sinais iniciais de estresses bióticos e abióticos.
A detecção precoce de doenças, assim como de pragas e outras deficiências da planta, permite que o produtor aumente a eficiência no manejo, otimizando custos e evitando prejuízos à produtividade e qualidade do grão.
— O monitoramento é fundamental até pelo ponto de vista econômico: se o agricultor gastasse mais tempo monitorando a lavoura, penso que as aplicações seriam mais assertivas — ressalta Neucimara.
Vale destacar que quanto maior a área daquela propriedade, mais desafiador é realizar o monitoramento da lavoura. Por isso, em situações como essas, os produtores tendem a calendarizar aplicações com produtos químicos.
[H2] Planejamento antecipado ajuda a otimizar manejo fitossanitário
Com base no histórico da área e no monitoramento realizado na lavoura, o produtor já tem condições para visualizar todos os possíveis problemas que estão ocorrendo e começar a antecipar o planejamento da próxima safra.
Se o diagnóstico do problema requer coletas de solo para análise, como no caso de nematoides, é recomendado que o produtor não adie esse processo e possa agir o mais cedo possível.
— O momento de fazer coletas é durante a safra, para que o agricultor possa entender que espécies estão presentes na área, em qual nível populacional e que ele consiga se organizar para, caso necessário, fazer alguma cultura na entressafra visando reduzir essa população — aponta.
Outra importante decisão que pode ser tomada com base nos rumos desta safra é a de qual cultivar plantar na próxima.
— São várias ações que garantem o sucesso no controle fitossanitário. Não somente a cultivar e o que ela entrega em relação à resistência e tolerância, mas também os tratos culturais e como eu vou posicioná-la no campo. Todo o contexto desse manejo é trabalhado na hora do planejamento — destaca Marcela Schiochet, gerente de produção de sementes da Cotrijal.
Por fim, a construção de uma safra ainda mais produtiva começa bem antes da semeadura. Ao unir o histórico da área, monitoramento constante e decisões planejadas com antecedência, o produtor tem a oportunidade de se antecipar aos desafios, ajustar estratégias com maior precisão e reduzir os riscos ao longo do próximo ciclo.
