Principais cuidados no pré, durante e pós-colheita da soja para preservar a produtividade e a qualidade dos grãos
Resumo rápido
• O planejamento da pré-colheita é essencial para definir o momento ideal de colheita da soja e potencializar a produtividade da lavoura;
• A colheita no estádio R8, com umidade entre 13% e 15%, reduz perdas e prejuízos na comercialização;
• A regulagem adequada da colheitadeira é um dos principais fatores para reduzir perdas durante a operação;
• Transporte com vedação correta e sem sobrecarga evita perdas de grãos;
• Controle de umidade, temperatura e aeração é essencial para manter a qualidade no armazenamento.
Um dos últimos e mais importantes passos para que o agricultor consiga proteger o potencial produtivo construído na lavoura de soja até aqui é a colheita. Mais especificamente, o correto planejamento e execução do pré, durante e pós-colheita, etapas que irão impactar diretamente a qualidade dos grãos e confirmar o potencial produtivo da safra.
“Os impactos dessas decisões acabam influenciando totalmente o resultado final”, destaca Marcos Longaretti, gerente de desenvolvimento de soja da GDM Seeds.
Planejamento da pré-colheita: a base para uma colheita eficiente da soja
Mesmo antes da colheitadeira entrar na lavoura, o produtor deve realizar um planejamento antecipado para garantir que as condições para a colheita estejam adequadas.
Nesse momento, o produtor deve se atentar principalmente ao estágio de maturação da soja e ao teor de umidade dos grãos, fatores que orientam o início da colheita e ajudam a reduzir perdas e preservar a qualidade da produção.
Maturação da soja: como identificar o momento ideal de colheita
De acordo com Marcos, a colheita deve iniciar quando a soja estiver em R8, que é o último estágio de maturação fisiológica da planta. “O R8 é representado quando 95% das vagens estão com coloração marrom”, aponta.
Seja para uniformizar a maturidade da lavoura, como também para realizar o controle de plantas daninhas, a dessecação pré-colheita é uma importante etapa a ser considerada.
O momento ideal para a dessecação pode variar conforme o objetivo da produção do agricultor, seja grãos ou sementes.
Para a produção de grãos, o intuito é aumentar a produtividade da lavoura. Sendo assim, o momento ideal para a dessecação é no estágio R7.3, quando a lavoura tiver 75% das folhas amareladas, início de desfolha, sementes com 55% de umidade, dentre outros indicadores.
Já para a produção de sementes, o objetivo passa a ser a qualidade delas visando garantir maior longevidade, germinação e vigor. Dessa forma, a decisão do momento ideal pode variar conforme fatores como clima, região e sistema de produção.
Umidade dos grãos na colheita: por que respeitar os níveis ideais é fundamental
Para evitar prejuízos de qualidade e comercialização, o produtor deve iniciar a colheita quando a umidade do grão estiver entre 13% e 15% – se atentando para as variações que ocorrem ao longo do dia, já que os níveis costumam ser mais elevados no período da manhã e reduzem conforme as temperaturas aumentam.
A colheita com a umidade mais alta que o recomendado pode acarretar em alguns problemas.
— Com a umidade alta, o custo de secagem do grão, caso o produtor tenha silo, é maior. Se o grão for comercializado com alguma cooperativa ou unidade de recebimento, o desconto em relação a uma soja com a umidade ideal também será mais elevado. E, além de prejuízos na comercialização, a colheita com a umidade acima do ideal também causa danos mecânicos no equipamento — pontua Marcos.
Já quando a colheita é realizada tardiamente, com níveis de umidade abaixo do ideal, o produtor corre o risco de perdas na lavoura por intempéries climáticas. Além disso, grãos muito secos ficam mais propensos à quebra, o que pode reduzir o peso comercializado e gerar descontos na entrega.
Colheita da soja: práticas para reduzir perdas e aumentar a eficiência operacional
Na hora de colher, é fundamental a execução do planejamento já estabelecido na pré-colheita, junto a algumas outras ações importantes para o momento em que o maquinário estiver no campo.
Para Marcos, essas ações se resumem, principalmente, à regulagem no equipamento e a uma equipe bem treinada para conduzir a operação.
Regulagem da colheitadeira: ajustes essenciais para minimizar perdas
Segundo Longaretti, a maior parte das perdas da colheita ocorrem em função de erros na regulagem do equipamento e até na qualidade do maquinário.
— Se uma plataforma de corte estiver desregulada, por exemplo, podem haver falhas na coleta das vagens, resultando em perdas diretas no solo. Então aspectos como a alimentação da máquina, o embuchamento, abertura de côncavo, as peneiras, entre outros, influenciam diretamente na eficácia da colheita e no nível de produtividade — relata.
Por isso, ele elenca as regulagens mais importantes de serem feitas na colheitadeira, visando minimizar as perdas durante a operação.
• Altura da plataforma de corte
• Velocidade do molinete e do rotor
• Abertura do côncavo
• Regulagem das peneiras
• Fluxo de ar do sistema de limpeza
— É comum ver produtores que iniciam a colheita no começo da manhã, quando a umidade está mais alta, com uma determinada regulagem e seguem com ela ao longo de todo o dia. No entanto, o ideal é realizar monitoramentos constantes durante a operação. Ou seja, a cada duas ou três horas é necessário fazer novas checagens e ajustar a máquina, já que a umidade dos grãos vai se alterando. O mesmo cuidado deve ser adotado quando o agricultor muda de talhão ou até mesmo de cultivar dentro de um mesmo talhão — conta.
Importância da capacitação da equipe durante a colheita
Outra prática operacional relevante, de acordo com Marcos, é ter uma equipe preparada e alinhada para a colheita. “É importante ter um time bem treinado e uma pessoa que consiga acompanhar a máquina a todo momento, observando possíveis problemas, monitorando as perdas na lavoura e detectando possíveis regulagens a serem feitas”, menciona.
Pós-colheita da soja: cuidados no transporte e armazenamento dos grãos
Após a conclusão da colheita, o foco do agricultor se volta ao transporte, armazenamento e comercialização dos grãos. Cada uma dessas etapas possui sua devida importância para garantir uma preservação da qualidade dos grãos e uma maior rentabilidade da produção.
Transporte dos grãos: como evitar perdas após a colheita
Para evitar perdas durante o transporte dos grãos, é recomendado evitar a sobrecarga dos caminhões – trazendo mais segurança para esta parte da operação. “Para evitar perdas dos grãos, deve-se trabalhar sempre com lonas de qualidade e uma vedação bem realizada. É uma recomendação simples, mas bastante importante”, cita Marcos.
Armazenamento da soja: fatores que garantem a conservação da qualidade
Após o descarregamento dos grãos nas moegas, são coletadas amostras para analisar os teores de umidade, impureza e grãos avariados da carga. Na sequência, os grãos passarão por diversos processos – de limpeza, aeração e secagem – antes de serem armazenados em silos ou graneleiros.
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“O armazenamento envolve diversos fatores. Mas, resumidamente, se busca uma soja livre de impurezas e com os grãos nos níveis de umidade, temperatura e aeração ideais, que impactam em uma conservação maior”, comenta.
Impacto da colheita no desempenho das cultivares de soja
Em meio a uma agricultura cada vez mais tecnificada e precisa, o produtor carrega, em cada semente plantada, décadas de pesquisa em melhoramento genético que visam entregar o que há de mais tecnológico na busca pela alta performance no campo.
Para proteger esse potencial expresso pela genética das cultivares, os cuidados no pré, durante e pós-colheita são indispensáveis. Afinal, o erro no planejamento ou na execução dessas etapas pode representar a diferença entre uma safra que fecha no azul ou no vermelho.
