Pós-colheita da soja: como reduzir perdas e manter a qualidade do grão
Resumo rápido
– A umidade ideal dos grãos de soja na colheita é de 13% a 18%;
-Um grande volume de grãos é desperdiçado pela vedação inadequada de caminhões e manuseio incorreto durante o transporte;
-A limpeza dos grãos é essencial para evitar problemas na secagem, no armazenamento e até mesmo na integridade dos equipamentos e seus operadores;
-A temperatura adequada para a secagem dos grãos de soja varia entre 100ºC a 110ºC;
– Durante o armazenamento, o monitoramento da temperatura, aeração adequada e o controle de pragas são fundamentais para manter a qualidade da soja.
——————————————————————————————————-
Dentro do planejamento da safra de soja, o pós-colheita possui grande importância na manutenção da qualidade dos grãos. Erros nas etapas seguintes à colheita podem, em muitos casos, custar a margem de lucro do produtor.
Ao sair da propriedade, os grãos são transportados, por caminhões graneleiros, até as moegas. Em seguida, passam pelos processos de limpeza, secagem, armazenamento e expedição para comercialização.
Na maioria dos casos, esses processos ficam sob responsabilidade da cooperativa, trading ou revenda com a qual o agricultor negociou sua produção.
Contudo, quando o produtor possui uma estrutura própria de armazenagem, ele e sua equipe técnica são encarregados de cumprir com as melhores práticas para preservação da qualidade dos grãos.
Umidade da soja: fator decisivo no pós-colheita
Um dos fatores que mais influenciará os processos do pós-colheita começa antes mesmo das máquinas entrarem no campo. Embora a colheita da soja deva acontecer quando os grãos estiverem com umidade entre 13% a 18%, a realidade nem sempre facilita a colheita nesses parâmetros.
É comum que produtores – em especial do Cerrado, onde chuvas durante a colheita da soja são relativamente frequentes – tenham de tomar decisões forçadas de começar a colheita fora dos níveis ideais de umidade.
— Geralmente, essa tomada de decisão varia conforme a estrutura que o produtor tem na propriedade. Aqueles que possuem estrutura de armazenamento às vezes arriscam colher um grão com umidade maior pois entendem que seus custos para secagem serão menores que seus eventuais prejuízos com grãos avariados caso a chuva na colheita se prolongue. Já os produtores que dependem do recebimento em cooperativas ou revendas tendem a aguardar a umidade reduzir para níveis mais próximos do ideal, devido aos severos descontos que são aplicados na entrega de grãos com umidade muito alta — explica Diogo Ferrari, agrônomo e supervisor de desenvolvimento de produto da GDM Seeds na M4.
Riscos da colheita de soja com umidade fora do padrão
Porém, é altamente recomendado que o produtor busque ao máximo colher a soja com os níveis ideais de umidade, entre 13% e 18%. Caso isso não seja possível, o produtor deve minimizar os prejuízos e realizar a colheita com umidade dos grãos em até 22% – nível que ainda tende a gerar descontos e custos adicionais de secagem.
— As consequências de uma colheita com umidade acima do ideal consistem em descontos na entrega do grão e atrasos operacionais. Se o grão é voltado para a produção de sementes, o produtor também pode ter prejuízos com danos mecânicos na semente, como o amassamento, e perdas na qualidade do produto. Já colheitas com umidades abaixo de 13% podem gerar prejuízos pela perda de peso dos grãos, além de problemas como a debulha natural e a quebra dos grãos — conta Ferrari.
Logística da soja: cuidados no transporte para preservar a qualidade
O transporte dos grãos está presente em diversos momentos ao longo das etapas do pós-colheita – levando a produção do campo até a moega, máquinas de pré-limpeza, silo pulmão, secador, silo para armazenamento e comercialização.
E, de acordo com estudo produzido pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), em 2020, cerca de 1,58 milhão de toneladas de soja caíram pelas estradas e esteiras transportadoras, o que representa 1,17% da produção do ano e R$ 3,19 bilhões de perda monetária.
Muitos fatores são atribuídos a esse relevante número. Alguns deles, como condições inapropriadas de estradas e a falta de outros modais de transporte além do rodoviário, fogem da alçada do produtor e sua equipe ou de transportadoras. Contudo, os prejuízos no transporte também passam pela má condição dos veículos e pelo manuseio inadequado do produto.
— O produtor precisa ter equipamentos que estejam em boa condição de uso, realizando vedações apropriadas e um bom isolamento, principalmente dos cantos do caminhão, nas junções de tampas. Quando a soja é voltada para a produção de semente, o processo fica mais complexo e o produtor precisa ter uma logística bem organizada e garantir uma conservação térmica para evitar variações de temperatura na semente — afirma Ferrari.
O estudo também aponta soluções para reduzir os prejuízos com a queda de grãos nas estradas, como o uso de carretas gameleiras baú.
Pré-limpeza da soja: etapa essencial antes da secagem
Antes do grão ir para secagem e ser armazenado, ele passa pela etapa de limpeza, na qual é separado de impurezas através de peneiras.
Em artigo escrito para a DONMARIO, Juliana Zeymer, agrônoma e doutora em engenharia agrícola, cita que os grãos limpos são, então, enviados ao silo pulmão para serem armazenados temporariamente.
“Nessa fase de pós-colheita, é realizado o processo de aeração com fluxo de ar adequado, mantendo a temperatura da massa dos grãos abaixo de 30ºC para evitar riscos de deterioração do produto enquanto aguardam a próxima etapa do processo”, destaca.
Leia o artigo completo e aprofunde seu conhecimento sobre as boas práticas de pós-colheita da soja
Secagem da soja: como preservar a qualidade dos grãos
A etapa da secagem é uma das mais importantes para garantir que o grão seja armazenado com suas propriedades dentro dos padrões adequados. Para uma secagem bem feita, o principal ponto de atenção deve ser quanto à temperatura de secagem. Afinal, ela pode trazer consequências tanto ao produto, quanto ao equipamento e seus operadores.
Segundo o supervisor de engenharia da GSI Brasil, Fabio Triches, a temperatura ideal de secagem do grão de soja é de 100ºC a 110ºC.
— A temperatura é fundamental para evitar a deterioração do grão. Quando a secagem é excessiva, o produto perde massa, o que gera prejuízos econômicos, além do risco de queima e perda de propriedades físicas. Ao mesmo tempo, manter a temperatura adequada também é essencial para a segurança do equipamento, reduzindo o risco de incêndios — explica o especialista.
Junto à temperatura de secagem, Triches indica a importância de que o operador não deixe o produto no secador por mais tempo que o necessário. “Se o grão com umidade alta ficar muito tempo parado, sem a secagem, suas propriedades acabam sendo comprometidas”, pontua.
Outra importante medida é garantir que os grãos estejam limpos antes de entrarem no secador. Caso contrário, podem ocorrer falhas no processo de secagem e danos para a integridade e segurança do equipamento.
“Grãos sujos podem provocar entupimento em telas e elevações de temperatura, o que, por sua vez, aumenta o risco de incêndio devido ao acúmulo de impurezas”, menciona.
Armazenamento da soja: como manter a qualidade no silo
Durante o armazenamento em silos, a conservação da temperatura ideal para os grãos também deve ser a prioridade principal do operador. Isso porque picos de alta temperatura podem fazer com que o produto fermente e apodreça, perdendo suas propriedades.
— O monitoramento da temperatura faz com que o operador tenha que trabalhar constantemente com o sistema de aeração, observando a temperatura ambiente, a temperatura interna do silo e definindo qual é o momento ideal para ligar os ventiladores e soprar ar para dentro da estrutura — diz Triches.
Para garantir uma boa conservação do produto, é de suma importância que o produtor e os agentes envolvidos no processo de pós-colheita da soja realizem cada uma das etapas da forma mais adequada possível, para que os grãos sejam armazenados limpos e secos.
Junto a essas recomendações, também é importante o monitoramento de pragas no silo. “Se houver algum tipo de infestação de insetos, é fundamental que seja realizado o expurgo dessas pragas”, reforça Triches.
Boas práticas no pós-colheita garantem a alta performance
A safra de soja é repleta de detalhes. Antes mesmo de implantar a semente no campo, o produtor e sua equipe técnica precisam definir a escolha das cultivares, a compra das sementes, a manutenção dos equipamentos, a logística do plantio e muito mais.
Ainda não começou a colher? Confira um guia para potencializar sua colheita de soja
E, se a atenção aos detalhes está presente em todos os momentos da safra, no pós-colheita isso não seria diferente. Por isso, uma safra de alta performance passa pelo cumprimento das boas-práticas de pós-colheita – assim como de todas as etapas que envolvem o ciclo agrícola dentro da propriedade.
Conheça genéticas de alta performance para quem é referência no campo
— Hoje, produtores referência aplicam essas recomendações na propriedade e tomam suas decisões baseadas em dados, para mitigar os riscos da operação e potencializar as chances de sucesso na lavoura — afirma Ferrari.
