Aprenda 7 dicas de pré-plantio da soja e como evitar os principais erros
Uma das principais decisões que o produtor toma no pré-plantio da soja é a escolha das cultivares a serem plantadas. Mas essa é apenas uma das escolhas que interferem na produtividade.
Junto a ela, algumas outras possuem alta relevância, podendo impactar todo o ciclo da lavoura e, consequentemente, o resultado final da colheita. Por isso, nesta etapa, alguns erros podem ser determinantes.
Para saber quais são as principais dicas e como evitar os erros mais comuns, confira o conteúdo a seguir: 7 recomendações para o pré-plantio da soja, de acordo com avaliações de especialistas de destaque na área.
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Pré-plantio da soja vai além da escolha genética
Sem dúvida, a escolha equivocada da genética da cultivar de soja e de seu posicionamento adequado é decisiva para a melhor performance no seu campo. Porém, isoladamente, todo o potencial da cultivar pode não ser aproveitado.
“Dentro da genética da semente, eu tenho 100% da produtividade. Depois, eu só tenho a perder. Quanto menos eu puder perder, maior vai ser a minha produtividade”, cita Paulo Arbex, doutor em engenharia agrícola e palestrante internacional sobre mecanização e grandes culturas.Dessa forma, outros exemplos de aspectos que podem prejudicar o desempenho da lavoura da soja são:
• Ausência de um armazenamento adequado da semente;
• Falta de um diagnóstico adequado do solo;
• Solo inadequado para o desenvolvimento sadio das sementes;
• Maquinários sem a correta regulagem e sem a manutenção em dia.
Principais recomendações no pré-plantio da soja
Saiba a seguir as orientações mais importantes para o pré-plantio da soja e alcance o máximo desempenho na lavoura.
Armazenamento da semente
Uma das principais formas de evitar perder a produtividade que deve ser adotada durante o pré-plantio da soja, como cita Paulo, é ao fazer um bom armazenamento da semente antes de plantá-la.
“Quando a semente sai da UBS, ela está com suas propriedades intactas. Então, após isso, ela precisa ser condicionada da melhor forma para que, na hora do plantio, ela possa expressar toda a sua alta produtividade”, comenta.
Diagnóstico de solo
Para Guilherme Martinelli Sanches, agrônomo com pós-doutorado em ciência do solo, o diagnóstico do solo não só é uma das etapas mais importantes do pré-plantio da soja, como também “a base da agricultura de precisão”.
“Tendo o diagnóstico dessa variabilidade do solo, é possível expressar ainda mais esse potencial genético da semente”, explica.
Na experiência prática de Guilherme, entretanto, uma situação comum é a do agricultor se preocupar mais com o diagnóstico perfeito do que com o possível de ser feito. Isso, para o profissional, gera um alerta:
“Vejo muitas vezes o produtor ou o consultor preocupado em escolher o melhor diagnóstico, a melhor tecnologia para usar. Eu costumo falar que o feito é melhor que o perfeito. Comece com um diagnóstico básico. Adote uma tecnologia, seja de satélite, sensor ou até penetrômetro e vá evoluindo aos poucos. Mas comece fazendo — orienta o especialista.
Correção do solo no pré-plantio da soja
Com base nessa análise, o produtor poderá entender as características físicas, químicas e biológicas do solo – e realizar as devidas correções, seja de nutrientes, pH, alumínio tóxico ou compactação.
Segundo Renato de Paiva Lima, agrônomo e doutor em ciência do solo, uma planta com alto potencial produtivo precisa de um ambiente adequado, e isso passa pela correção de alguns fatores do solo. Ele cita três principais: fertilidade, pH e compactação do solo.
“Em um primeiro momento, o produtor deve conhecer e corrigir condições químicas de acordo com a demanda da cultura, fazendo a correção de fertilidade”, aponta.
Para que o manejo nutricional seja fornecido de forma adequada para a planta durante o pré-plantio da soja, a correção da acidez (pH) do solo, através do calcário, é um passo importante.
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Outro fator, que inclusive interage com a precisão do maquinário agrícola, é a compactação do solo.
“A gente sabe que quando acontece um veranico e a planta enfrenta problemas de seca, o aprofundamento do sistema radicular é o que garante a sua sobrevivência. Mas quando ela encontra essas barreiras físicas, que às vezes não são diagnosticadas, a planta não consegue se estabelecer e aí você perde todo o potencial genético que foi uma aposta no início do cultivo”, ressalta o agrônomo.
Por isso, Renato deixa uma recomendação: “Sempre faça essas etapas de correção química, de pH e de compactação para que você expresse o máximo possível do potencial genético da planta”
Preparar o leito de semeadura
Um dos maiores desafios do agricultor no período pré-plantio da soja, que se conecta à correção de solo, é preparar o chamado leito ou cama de semeadura antes do plantio. Ela nada mais é do que o ambiente que vai receber a semente.
Um dos aspectos a serem corrigidos, como apontou Renato, é a resistência mecânica que o solo vai oferecer ao desenvolvimento da raiz. Em outras palavras, a compactação do solo. Mas o profissional também aponta outros aspectos que proporcionarão condições para a semente germinar.
“Temos quatro grandes fatores físicos que influenciam diretamente o crescimento e o ambiente favorável para o crescimento da semente. Um deles é a própria compactação. Outros são a temperatura, a umidade do solo e a circulação de ar nesse ambiente”, explica.
Para que a semente germine, é necessário que o solo esteja com um nível adequado de umidade. Umidades muito altas, porém, podem gerar uma série de doenças prejudiciais à semente e à cultura. Umidades baixas, por outro lado, podem fazer com que a raiz sofra para se desenvolver, devido a uma maior resistência do solo.
“O que não pode faltar ao produtor é buscar assistência técnica para reconhecer esse ambiente e fazer com que a semente se sinta confortável para germinar”, acrescenta.
Boas práticas de plantio e regulagem do maquinário
O sucesso no desenvolvimento inicial da semente, contudo, passa também pelos ajustes nas máquinas agrícolas.
“A gente tem que pensar que a escolha da máquina e a sua regulagem influencia na profundidade em que a semente é depositada e na regularidade, conforme o espaçamento da cultura, em que as sementes serão distribuídas”, aponta Renato.
Para Paulo Arbex, um dos principais erros cometidos no campo durante o pré-plantio da soja é relacionado à profundidade da semente.
“Na hora de plantar a semente no solo, se eu não colocá-las na mesma profundidade, a semente que está mais superficial sai primeiro e acaba pegando luz e água antes do que a semente mais profunda. Com isso, a que saiu primeiro acaba “dominando” a outra. Às vezes nós temos vigor, germinação… tudo na genética da semente, mas acabamos comprometendo a produtividade da lavoura por causa de um erro na máquina”, alerta.
Já Renato ressalta a importância da regulagem da máquina para uma boa distribuição da semente no solo.
“A máquina vai agir com força para depositar aquela semente, o que pode causar uma variabilidade na distribuição dela no solo. Isso tem que ser avaliado depois do plantio para o produtor não encontrar falhas dentro da lavoura que possam reduzir a produtividade da área. Ou seja, depois que for feita a regulagem, o produtor deve fazer uma avaliação para ver se ela funcionou “, recomenda.
Sobre esse assunto, Paulo acrescenta que, em solos mais compactados, o peso na máquina precisa ser maior para a semente atingir a profundidade ideal. Na situação oposta, em solos menos compactados, o produtor pode aliviar a pressão da máquina.
“Eu não posso plantar o talhão inteiro na mesma regulagem. O talhão não é homogêneo, o solo tem manchas. Então, a agricultura de precisão veio para fazer com que a gente pare de fazer tudo pela média e passe a agir de forma específica.”
Manutenção das máquinas
Uma das práticas que Paulo observa que podem ser melhoradas no dia a dia do campo é a melhor manutenção do maquinário agrícola. Segundo o especialista, o uso de sementes de alta qualidade genética em equipamentos que não acompanham a qualidade da semente faz com que esse potencial genético não seja expressado da melhor forma.
“Eu visito propriedades do Brasil inteiro. Se tem um item que várias pessoas deixam a desejar é na manutenção de máquinas. Muitos falam que é caro trocar peças de máquinas. Na verdade, caro é o potencial prejuízo que o produtor acaba sofrendo depois”, alerta.
Assim, é importante que o produtor se atente a como extrair o melhor tanto de suas máquinas, quanto do solo. “Temos que sempre estar medindo e melhorando a eficiência da nossa plantabilidade. Porque o que a gente não mede, a gente não controla”, afirma Guilherme.
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Armazenamento de dados
O sucesso desta safra passa, também, pelos registros sobre a safra anterior. Em que data as cultivares foram plantadas, quais doenças ocorreram, que pragas foram observadas, quantos manejos – e com qual produto – foram feitos, e assim por diante.
Da mesma forma, todo o conhecimento e informações que acontecerem nesta safra serão úteis para o produtor e seus consultores técnicos nas próximas.
“Quando nós vamos ao médico, a primeira coisa que ele pergunta é sobre o nosso histórico. Então, por que o técnico e o produtor não devem armazenar essas informações para que eles tenham recursos? Hoje, estamos na era dos dados. Nós conseguimos transformá-los em diagnósticos e potencializar a próxima safra”, opina Renato.
De acordo com Guilherme, um grande desafio atualmente é ajudar o produtor rural a rotular e armazenar esses dados referentes ao histórico da propriedade.
“Se eu tiver bons dados guardados, a minha resposta será boa. Esse histórico vai ajudar demais a prever os problemas futuros e a corrigir o manejo. Por isso eu ressalto a importância de ter esses dados armazenados. É o histórico que irá nos orientar no futuro.”
Conclusão
A escolha das cultivares a serem plantadas na safra de soja é um dos primeiros passos a serem tomados durante o pré-plantio da soja. Entretanto, as etapas seguintes podem potencializar ou comprometer essa escolha.
A alta performance da safra de soja começa antes mesmo da semente tocar o solo. É nesse momento que, a depender da execução das boas práticas de pré-plantio, junto a alguns outros fatores, a genética pode expressar todo seu potencial produtivo e tornar a safra bem-sucedida.
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