Fase vegetativa da soja: principais pontos de atenção para garantir alta performance
Resumo rápido
• A fase vegetativa é a base da produtividade da lavoura;
• O controle de plantas daninhas nos primeiros 45 dias após a emergência é fundamental para evitar perdas de estande e competição por água e nutrientes;
• Pragas, doenças, clima e fungos de solo afetam o desenvolvimento inicial da cultura, podendo ser controlados e/ou mitigados;
• Arranque inicial positivo, presença de nódulos viáveis e uniformidade da lavoura indicam um bom desenvolvimento inicial;
• Sementes certificadas, arquitetura da planta e ramificação influenciam manejo e produtividade;
• Seguir as recomendações técnicas da cultivar reduz riscos e melhora os resultados.
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A fase vegetativa da soja é fundamental para a construção da produtividade final da lavoura. Seu papel se assemelha ao alicerce de uma casa. Sem uma base sólida, o restante da construção não se sustenta.
De forma similar, sem um bom desenvolvimento de raízes e da parte aérea da planta, o enchimento de grãos e, consequentemente, a produtividade final da lavoura fica comprometida.
Por se tratar de um período tão crucial para a definição do resultado da safra do agricultor, separamos os principais pontos de atenção que devem ser observados durante a fase vegetativa da soja e destacamos como a qualidade da semente, a arquitetura de planta e o padrão de ramificação influenciam na produtividade da lavoura.
Principais cuidados na fase vegetativa da soja
Impacto das plantas daninhas no desenvolvimento inicial da soja
Os momentos de maior vulnerabilidade da planta de soja estão presentes na fase vegetativa. Por isso, sobretudo nos primeiros 45 dias após a emergência, é importante que o produtor faça um monitoramento atento para evitar a presença de plantas daninhas na lavoura.
— Nessa fase inicial, as entrelinhas ainda não se fecharam, então a presença de plantas daninhas na lavoura toma água e nutrientes que deveriam ser da soja. Por ser a fase mais sensível da cultura, na qual ela está mais vulnerável à matocompetição, o produtor pode até perder estandes de plantas devido à presença de plantas daninhas — cita Valter Balestrin, supervisor de desenvolvimento de produtos da GDM Seeds no Rio Grande do Sul.
Como pragas e doenças afetam a fase vegetativa e a produtividade da soja
De forma simples, a soja usa água, nutrientes do solo e luz do sol para produzir energia nas folhas por meio da fotossíntese. Essa energia é utilizada no crescimento da planta e na formação dos grãos, gerando produtividade.
Quando pragas e doenças da soja atingem a cultura, especialmente as folhas, a planta não sofre apenas com a ação de patógenos, mas também com a redução da área fotossinteticamente ativa. Dessa forma, o produtor enfrenta um risco duplo de perda de produtividade na lavoura de soja.
— O produtor deve ter um cuidado importante com as principais pragas em sua região, sejam elas lagartas, coleópteros ou outras. Elas podem desfolhar a soja e, se isso não for manejado corretamente, esses insetos acabam “tomando uma parte da fábrica do produtor” — cita Valter.
A mesma lógica se aplica às doenças foliares da soja, que, além de comprometerem as partes verdes da planta e reduzirem a área foliar sadia, podem causar perdas de produtividade na lavoura devido à infecção por patógenos.
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Como reduzir os impactos climáticos na fase vegetativa da soja
Através do monitoramento e do controle, seja químico ou biológico, o agricultor pode controlar a presença de plantas daninhas, pragas e doenças em sua lavoura. Porém, fatores como o clima, que exercem influência direta sobre o sucesso da fase vegetativa da soja, fogem da alçada do produtor.
Mas, apesar de não poder controlar o clima, o agricultor pode reduzir os riscos de exposição climática de sua lavoura.
— Através de cultivares que possuem boa adaptação à região, o produtor pode mitigar o risco causado pelo clima. Então, se eu sei que a minha região é marcada por 15 dias de seca ou temperaturas altas, por exemplo, eu preciso escolher cultivares com melhor adaptação a esses fatores — menciona Valter.
Como reduzir perdas causadas por fungos de solo na soja
O raciocínio de Valter sobre a redução de riscos climáticos também pode ser feito em outro aspecto que influencia o estande de plantas, mas que é pouco controlável pelo produtor: os fungos presentes no solo.
— Para a prevenção do prejuízo que pode ser causado por fungos como phytophthora, pythium e rhizoctonia, em que não conseguimos fazer um manejo direto eficiente, temos que selecionar cultivares boas de raíz. Assim, conseguiremos, pelo menos, mitigar o problema — complementa.
Indicadores de um bom desenvolvimento inicial da soja
Caso o produtor tenha realizado o devido monitoramento – e, se preciso, manejo – dos pontos de atenção comentados anteriormente, a tendência é que ele tenha um desenvolvimento inicial positivo na cultura.
Para Wanderson Reis, supervisor de desenvolvimento de produtos da GDM Seeds no Mato Grosso, o produtor deve observar três fatores importantes na lavoura, que sinalizam um início promissor do ciclo da soja.
• Um arranque inicial positivo;
• A presença de nódulos viáveis no sistema radicular;
• A uniformidade da lavoura.
— Quando observamos uma fase de crescimento inicial, ali por V1 a V3, é importante observarmos se essa planta está tendo um arranque inicial positivo, ao colocar um trifólio a cada dois ou três dias, em média, se os seus nódulos estão viáveis e se a lavoura como um todo apresenta uniformidade, sem a presença de manchas foliares — menciona.
Fatores genéticos da soja que impactam o manejo e a produtividade da lavoura
Algumas características genéticas da planta e da semente de soja são definidas durante a fase vegetativa da cultura e vão influenciar no sucesso que o agricultor terá no manejo da lavoura e na produtividade ao final da safra.
Importância das sementes certificadas para o arranque inicial da soja
Para Wanderson, não é possível desvincular um bom desenvolvimento inicial da lavoura do uso de sementes certificadas e de qualidade. Segundo ele, para aumentar as chances de um bom arranque inicial da cultura, o produtor precisa utilizar sementes com altos índices de vigor e germinação.
— Na última safra, observei em campo o caso de um produtor que plantou, no mesmo dia e na mesma área, dois lotes da mesma cultivar: um com 78% de vigor e outro com 97%. O lote com maior vigor resultou em um ganho de oito sacas por hectare em produtividade — relata.
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Arquitetura da planta da soja e seus impactos no manejo
Outra característica genética da soja é a arquitetura da planta, ou seja, o conjunto de fatores relacionados ao crescimento da planta, como sua altura, o número de ramos, o ângulo das folhas, a distribuição das vagens e o fechamento das entrelinhas.
Atualmente, a arquitetura moderna da planta é uma das características mais valorizadas pelos produtores, de forma geral.
Isso porque ela possibilita aplicações químicas mais eficientes, protegendo melhor a lavoura e a produtividade do agricultor.
— Antigamente, éramos acostumados com plantas grandes, que colocavam muita parte aérea e dificultavam o manejo, pois o produto não chegava ao baixeiro. Em cultivares com arquitetura moderna, há uma área foliar mais equilibrada e com folhas eretas, o que faz com que o produto chegue praticamente até o solo. Assim, tanto a folha de cima, como as de baixo, estarão igualmente protegidas — explica Valter.
O porte elevado das plantas também influencia no acamamento da soja, isto é, a dobra ou quebra das hastes e dos ramos, principalmente em decorrência de ventos fortes e chuvas intensas.
Para mitigar este problema, mais comumente observado no Sul do país, recomenda-se que o produtor escolha cultivares com resistência genética ao acamamento, plante dentro da janela ideal de semeadura e siga as recomendações de população de plantas da cultivar.
Engalhamento da soja: vantagens e desafios no campo
A ramificação, também chamada de engalhamento, é outro aspecto que possui grande influência no manejo e produtividade da soja.
Cultivares com maior potencial de ramificação tendem a colocar mais ramos (ou galhos) a partir da haste principal, aumentando a área produtiva e o número de vagens da planta.
Por outro lado, cultivares com menor potencial de ramificação concentram a maior parte de sua produção à haste principal, não precisando criar novos ramos para entregar altas produtividades.
Dois fatores são determinantes para definir o quanto as plantas irão ramificar: a capacidade genética da cultivar e, principalmente, a população de plantas.
— Se para cultivar A, a recomendação é colocar 15 plantas por metro, isso indica que ela não possui alta capacidade de ramificação. Já para a cultivar B, quando a recomendação é de 10 plantas por metro, significa que a variedade apresenta um comportamento diferente e engalha bastante. Se o produtor errar a população de plantas da soja, ele corre o sério risco de desconfigurar totalmente a planta e comprometer a produtividade da lavoura — alerta Valter.
Segundo ele, plantas com alto potencial de ramificação trazem vantagens e desafios ao produtor.
Por um lado, uma cultivar com hábito de alto engalhamento pode ajudar a compensar uma eventual perda de estande causada por prejuízos no estabelecimento inicial da lavoura.
“Se eu perdi plantas por falta de chuva ou por fungos, por exemplo, uma cultivar com alta ramificação tende a me ajudar a compensar a perda de estande, reduzindo o meu prejuízo”, cita.
Por outro lado, plantas muito engalhadas oferecem desafios maiores no manejo. “Eu tenho que ser muito mais técnico e ter um timing mais assertivo nas minhas aplicações fitossanitárias. Se eu não fizer as aplicações antes das entrelinhas fecharem, não será mais possível atingir o baixeiro da planta”, pondera.
Importância de seguir as recomendações técnicas da cultivar de soja
O sucesso na fase vegetativa da soja é o primeiro passo para uma boa sequência de desenvolvimento da planta, no estágio reprodutivo, e para o sucesso da safra, após a colheita.
Mas, para alcançar alta produtividade, é fundamental que o produtor siga as recomendações técnicas da obtentora genética, tanto antes do plantio, como ao longo do manejo.
Isso porque, antes de lançar uma cultivar, a obtentora passou anos realizando centenas de milhares de testes, que definiram a melhor época de semeadura e a população de plantas mais adequada para cada cultivar e microrregião.
Mesmo em meio ao contexto de margens apertadas que o agricultor brasileiro vive, é fundamental que as recomendações de plantio, como a população de plantas, sejam seguidas conforme a orientação oficial.
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— Hoje, observo muitos produtores querendo reduzir o número de plantas, acreditando que, ao diminuir a população de 250 mil para 200 mil plantas por hectare, conseguirão cobrir uma área maior e até produzir mais. No entanto, nós que trabalhamos no desenvolvimento dessas cultivares sabemos que, ao adotar uma população muito baixa, o risco de redução de produtividade aumenta significativamente. Nesse cenário, se a lavoura passar por um estresse hídrico e houver a perda de 20 mil plantas, ela sai de uma margem de segurança de 230 mil plantas para 180 mil plantas por hectare, um número que já não consegue compensar a produtividade — alerta Wanderson.
