Qual cultivar de soja plantar: critérios essenciais para acertar na escolha e evoluir na safra 2026/27
Resumo rápido
• Conhecer a propriedade é a base para a escolha da cultivar certa para cada talhão
• Alinhe a cultivar ao potencial produtivo da área para potencializar os resultados da lavoura
• Posicionamento correto na janela de plantio é fundamental para obter alta performance
• Escalonar a semeadura e diversificar GMs reduz riscos na propriedade
• Histórico de doenças, pragas e daninhas orienta é ponto-chave na escolha da cultivar
• Erros de posicionamento podem causar reduções significativas de produtividade
A escolha de qual cultivar plantar é, possivelmente, a principal decisão que o produtor precisa tomar dentro do planejamento da próxima safra de soja. Ela envolve diversos motivos, que vão desde o potencial dos talhões da propriedade até o histórico fitossanitário da área.
Por isso, para uma escolha assertiva das melhores cultivares de soja, é fundamental que o produtor tenha pleno conhecimento da realidade da sua região e propriedade. Só assim, ele conseguirá escolher a cultivar certa, para a área certa.
Conhecimento da propriedade: o ponto de partida para escolher a cultivar de soja
Através de análises de solo ou até mesmo de ferramentas de monitoramento, como imagens NDVI (Índice de Vegetação por Diferença Normalizada), o agricultor pode entender precisamente qual é o potencial dos talhões de sua área e, assim, definir sua estratégia para a escolha das cultivares de soja.
— Se o produtor conseguir alinhar a expectativa de produtividade para seus talhões com o posicionamento da cultivar, a chance de ele ter sucesso na safra aumenta consideravelmente — destaca Felipe Bianchessi, agrônomo e coordenador de desenvolvimento de mercado da DONMARIO no Sul.
Para além da escolha da cultivar: veja como planejar uma safra de soja de alta performance
Principais critérios para escolher a cultivar certa na safra
Produtividade ou estabilidade produtiva: o que priorizar?
Na prática, o potencial produtivo da cultivar costuma ser o principal critério do agricultor na hora de escolher qual material plantar.
Assim, em talhões de alto potencial, o produtor costuma direcionar cultivares mais responsivas à tecnologia. Já em talhões com menor potencial, é recomendado o plantio de cultivares de maior rusticidade, que suportem elevada pressão de doenças e variações nas condições do solo, sem que a produtividade seja drasticamente impactada.
Mas, nos últimos anos, vem sendo observada uma mudança no perfil de decisão de muitos produtores – em especial em regiões do Sul do país marcadas pela escassez hídrica –, que têm procurado cultivares de soja mais rústicas para compor partes cada vez maiores da propriedade.
— Temos observado, principalmente no contexto do Rio Grande do Sul, que muitos produtores passaram a procurar cultivares mais pela estabilidade produtiva do que propriamente por seu potencial, buscando maior segurança ao longo dos anos — registra Bianchessi.
Grupo de maturação: a importância do correto posicionamento na janela de plantio
O grupo de maturação (GM) da cultivar é outro critério fundamental para a escolha de qual material plantar. É importante, entretanto, que o produtor siga a correta recomendação de época de semeadura para a cultivar.
— A janela de plantio interfere diretamente na performance do material. Se o produtor plantar uma cultivar fora do período recomendado, ele pode enfrentar algumas consequências, como a retenção do porte da planta, o que, por sua vez, limita o potencial produtivo da lavoura — destaca.
Em regiões com forte presença do cultivo da segunda safra, como na M3 e M4, sobretudo, os produtores costumam buscar cultivares de soja com ciclos curtos, que permitam encaixar a safrinha em uma janela de alto potencial produtivo.
— Esses produtores precisam de materiais com cerca de 105 a 110 dias de ciclo, que os permitam ter uma janela de segunda safra maior e, consequentemente, encaixar um milho de alto potencial produtivo — relata Arthur Cruvinel, agrônomo e coordenador de desenvolvimento de mercado da DONMARIO no Cerrado.
Escalonamento de semeadura: como reduzir riscos na lavoura
Para reduzir os riscos na lavoura, é recomendado que o agricultor trabalhe com diferentes grupos de maturação em janelas de plantio distintas, escalonando sua semeadura.
— O escalonamento de plantio e a diversificação de grupos de maturação vão entregar maior segurança ao produtor. Pode ser que ele obtenha uma excepcional produtividade em 30% de sua área, mas são os 70% restantes da propriedade que irão lhe conferir média produtiva, estabilidade e segurança ao longo das safras. E em anos desafiadores, com menor margem para erros, o agricultor precisa olhar muito mais para a média produtiva do que para os picos de produção — ressalta Bianchessi.
Como o histórico de doenças de doenças impacta a escolha da cultivar de soja
Entender a propriedade passa também por conhecer o histórico de doenças na lavoura, utilizando cultivares resistentes à enfermidade em questão.
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No caso de algumas doenças, o produtor também deve considerar o uso de variedades com arquitetura moderna de planta, visando facilitar a aplicação de produtos para o manejo químico.
— Em áreas com alta incidência de fusariose (Fusarium spp.) ou mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum), por exemplo, o produtor pode utilizar cultivares que apresentem folhas lanceoladas para uma maior eficiência de aplicação do produto e, por consequência, maior taxa de sucesso ao final do ciclo — cita Cruvinel.
As indicações de El Niño no segundo semestre trazem efeitos opostos conforme a região do país. No Sul, o fenômeno é marcado pelo aumento no volume de chuvas. Já nas regiões Norte e Nordeste, é comum a ocorrência de condições mais secas.
Por mais que os efeitos do El Niño geralmente sejam positivos na cultura da soja, o produtor deve ter em mente a possibilidade da ocorrência de doenças típicas de anos úmidos ou secos, a depender da região.
— Pode ser que o produtor volte a ter que manejar doenças que não apareceram nas últimas safras. Por isso, é importante que ele conheça o histórico de sua propriedade — completa Bianchessi.
Influência do histórico de pragas e plantas daninhas na escolha da cultivar
Conhecer o histórico de pragas e plantas daninhas da área se faz igualmente importante na hora de escolher a cultivar que será plantada.
Isso porque as principais biotecnologias em soja no Brasil hoje – sendo elas, a Intacta RR2 PRO® (IPRO), Intacta2 Xtend® (I2X), Conkesta E3® (CE) e Enlist E3® (E) – se apresentam de formas diferentes no controle às principais lagartas e plantas daninhas da cultura.
Entenda como as biotecnologias vêm ajudando no manejo de pragas e plantas daninhas da soja
Mas, apesar de algumas biotecnologias serem mais associadas com o manejo de pragas ou plantas daninhas, Felipe Bianchessi destaca que a cultivar mais adequada não necessariamente está ligada à biotecnologia X ou Y.
— O melhor desempenho da cultivar está atrelado à propriedade do agricultor, não necessariamente à biotecnologia. As biotecnologias são, sim, ferramentas extremamente importantes no manejo de pragas e de plantas daninhas, mas elas não podem ser vistas como as únicas ferramentas, capazes de resolver todos os problemas — pondera.
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Resistência aos nematoides da soja é decisiva no Cerrado
Na maior parte das regiões do Cerrado, a resistência da cultivar a determinadas espécies de nematoides se torna um fator decisivo para a escolha do material.
— Com exceção de algumas regiões de Minas Gerais, há uma relevante pressão de nematoides na soja no Cerrado, principalmente o de cisto (Heterodera glycines). Isso faz com que o produtor demande cultivares com resistência às principais raças desse nematoide — cita Cruvinel.
Atualmente, a maior parte do portfólio da DONMARIO na M3, M4 e M5 possui resistência a, pelo menos, uma das raças do nematoide de cisto.
Seguir o posicionamento técnico é passo-chave para obter alta performance
Independentemente da cultivar de soja escolhida, é fundamental que o produtor siga a recomendação da obtentora genética.
No caso de cultivares da DONMARIO, não seguir o posicionamento técnico correto – obtido a partir de milhares de testes realizados ao longo de diversos anos – pode significar não explorar todo o potencial produtivo e genético que os materiais entregam, ano após ano.
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— Erros no posicionamento de cultivares de soja, seja em janela de plantio, nível de fertilidade ou área de cultivo, podem comprometer de 20% a 30% do potencial produtivo da lavoura. Em resumo, escolher a cultivar certa para a área e para a época de plantio correta é a receita para bons resultados. Os agricultores que estão no negócio há mais tempo perduram fazendo justamente isso — reitera Felipe Bianchessi.
