Aliados da alta performance: como milho e trigo fortalecem a soja no Cerrado e Sul
Resumo rápido
• Milho e trigo oferecem uma série de benefícios agronômicos e financeiros ao sistema;
• As culturas oportunizam um manejo de plantas daninhas mais eficiente;
• Sistemas radiculares diferentes e a palhada elevam a saúde do solo, reduzindo erosão e mantendo propriedades físicas;
• Milho e trigo aumentam a ciclagem de nutrientes, disponibilizando grande quantidade de potássio para a soja na sequência;
• Os cultivos trazem importantes vantagens financeiras, como a geração de renda e a diluição de custos fixos da propriedade.
Das 342,7 milhões de toneladas previstas pelo IBGE como produção para a safra de 2026, a soja representa metade dessa quantia – 172,5 milhões de toneladas. Seja por esses números de produção, pela rentabilidade proporcionada aos agricultores brasileiros ou pelo fato de que, segundo dados da Conab, a área de cultivo da oleaginosa cresceu ano após ano nas últimas 20 safras consecutivas, é seguro afirmar que a soja é a principal cultura agrícola do país.
Dessa forma, grande parte dos produtores do país priorizam o cultivo da soja e tomam medidas para proteger seu potencial produtivo, fator determinante para a rentabilidade da propriedade.
Nesse contexto, duas culturas fortemente presentes no país cumprem um importante papel: o de beneficiar o sistema produtivo, potencializando o potencial de rendimento da soja.
Milho e trigo agregam em inúmeros benefícios ao sistema de produção do Cerrado e do Sul do Brasil, respectivamente, sendo amplamente cultivados, sobretudo na segunda safra/safra de inverno.
Benefícios do milho e trigo ao sistema produtivo
Apesar de possuírem suas particularidades, tanto o milho, como o trigo, trazem diversos benefícios parecidos ao sistema de produção. Eles se resumem, principalmente, em:
• Oportunidades no manejo de plantas daninhas
• Adição de palhada no sistema
• Benefícios biológicos ao solo
• Ciclagem de nutrientes
• Diluição de custos fixos da propriedade
• Fonte de renda durante a entressafra
Oportunidades no manejo de plantas daninhas
Quando os produtores do Cerrado cultivam o milho, eles também aproveitam uma ótima oportunidade para manejar plantas daninhas de difícil controle na cultura da soja.
— Com a presença de plantas daninhas como a buva, o capim-pé-de-galinha e o caruru, e a tolerância delas ao glifosato, é muito difícil realizarmos o manejo somente dentro da cultura da soja. Então, o cultivo do milho oportuniza o uso de diferentes moléculas, contribuindo para a redução do banco de sementes e favorecendo a cultura sucessora — destaca Wagner Justiniano, doutor em entomologia e gerente de desenvolvimento de produto da GDM Seeds.
Um cenário muito similar se aplica à cultura do trigo, presente em grande parte no Sul do Brasil.
O manejo de plantas daninhas no trigo também é realizado com herbicidas diferentes do que os utilizados na soja, possibilitando uma rotação de princípios ativos e favorecendo tanto o manejo de plantas daninhas, quanto a sustentabilidade do sistema.
E, por sua palhada mais densa em comparação ao milho, o trigo também proporciona uma melhor supressão do banco de sementes de invasoras, ao reduzir a incidência de luz sobre algumas espécies e dificultar sua emergência.
Melhoria da saúde do solo
A soja possui um sistema radicular pivotante, que contribui para a formação de galerias no solo e para a decomposição da matéria orgânica nas camadas mais superficiais, melhorando a estrutura e a aeração do solo.
Por outro lado, milho e trigo possuem sistemas radiculares fasciculados – cada um com suas particularidades.
As raízes do milho fazem com que a planta explore camadas mais profundas do solo, favorecendo a absorção e a reciclagem de nutrientes. Já o sistema radicular do trigo tem menor capacidade de explorar altas profundidades, se comparado ao milho, porém apresenta maior densidade de raízes.
Em resumo, ao utilizar culturas que possuem sistemas radiculares distintos – e que, portanto, exploram diferentes fatias do solo – o produtor também está tomando medidas que favorecem a saúde biológica de sua propriedade.
Adição de palhada ao sistema
Milho e trigo também fortalecem a saúde do solo ao acrescentar uma palhada de alta qualidade do sistema. Ela, por sua vez, cumpre importantes funções na proteção do solo, prevenindo sua erosão e preservando propriedades físicas.
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Mas, no quesito de adição de palhada, a cultura do trigo é ainda mais reconhecida que o milho pelos seus benefícios, uma vez que, pelo tamanho reduzido da planta e sua menor distribuição entrelinhas, o trigo entrega à cultura sucessora uma cobertura ainda mais homogênea.
— A palhada de trigo ajuda a diminuir o impacto direto das chuvas, reduzindo a erosão no solo, e minimiza a lixiviação de nutrientes, processo em que a área transporta esses elementos para camadas mais profundas — pontua Elisandro Nunes, agrônomo e supervisor de desenvolvimento de produtos de trigo da GDM Seeds.
A presença dessa camada de matéria orgânica, segundo o agrônomo, também favorece a manutenção da umidade e temperatura do solo.
Ciclagem de nutrientes: benefícios para a soja
As culturas do milho e trigo também se mostram complementares à soja pelos nutrientes que elas disponibilizam ao solo, com destaque principal para o potássio.
— A palhada do milho prontamente disponibiliza uma grande quantidade de potássio para a cultura da soja, elemento que é fundamental na formação do colmo das plantas — aponta Justiniano.
O potássio também é um dos principais macronutrientes que o trigo disponibiliza no solo. De acordo com Nunes, o cereal extrai em torno de 25,8 kg/ton de potássio e exporta somente 20% dessa quantia.
“Ou seja, os 80% restantes de potássio permanecem no campo e favorecem, quando cultivada em sequência, a cultura da soja”, afirma.
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Viabilidade econômica do sistema: diluição de custos fixos e geração de renda
Além de um conjunto de benefícios agronômicos que o milho e o trigo oferecem à propriedade, as culturas também trazem importantes contribuições financeiras ao produtor.
Em muitas regiões do Cerrado em que se cultiva o milho na segunda safra, a lucratividade do cereal – impulsionada por oportunidades de mercado e uma demanda aquecida – chega a ser maior que a da soja na primeira safra.
Além disso, a cultura do milho também oferece a oportunidade de o agricultor diluir custos fixos da propriedade e manter o maquinário devidamente revisado.
A diluição dos custos fixos também é um importante benefício do trigo no inverno em propriedades do Sul do país.
— Do ponto de vista operacional, o trigo oferece uma oportunidade muito boa de fazer duas safras cheias durante o ano. Ou seja, o produtor pode utilizar seu maquinário e mão de obra não somente para um cultivo no ano. Isso ajuda a diluir os custos fixos da propriedade e a aumentar a lucratividade quando ele olha para o negócio como um todo — ressalta Ernandes Manfroi, gerente de pesquisa de trigo da GDM Seeds no Brasil.
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Sistema produtivo mais eficiente
No Cerrado brasileiro, o sistema soja-milho apresenta diversos benefícios agronômicos e financeiros à propriedade. Já no Sul do país, o trigo, dentro do sistema de rotação de culturas com a soja, também se torna um cultivo importante, por também proporcionar vantagens agronômicas e financeiras ao agricultor.
Assim, ambas as culturas se apresentam como opções estratégicas ao produtor que busca um sistema produtivo mais sustentável no longo prazo e uma propriedade mais rentável.
