Regulagem de colhedora de grãos

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A colheita é uma das fases mais importantes de todo o ciclo produtivo da soja, pois é fundamental para a manutenção da produtividade obtida ao longo da safra. 

A correta regulagem das colhedoras é primordial para a redução das perdas, decorrentes do processo de colheita, principalmente as relacionadas ao mecanismo de corte e ao sistema de alimentação. Além disso, a má regulagem do sistema de trilha, o sistema de separação e o sistema limpeza de grãos também podem causar perdas consideráveis no processo de colheita.

Todas as colhedoras de grãos são divididas em cinco sistemas distintos: sistema de corte e alimentação, sistema de trilha e retrilha, sistema de separação de grãos e palhas, sistema de limpeza e o sistema de armazenamento dos grãos.

O mecanismo de corte e alimentação é o primeiro que entra em contato com o material que está sendo colhido e é composto pelo molinete, pela barra de corte, pelo caracol (sem-fim), ou pela esteira draper, e pelo elevador de palhas. De acordo com o professor e doutor Walter Boller, da Universidade de Passo Fundo (RS) e Bock (2020), a cultura da soja é mais sensível à debulha e à má regulagem do mecanismo de corte e alimentação, fatores que podem provocar até 80% de toda a perda decorrente do processo de colheita. 

O molinete, componente do sistema de corte e alimentação, apresenta quatro regulagens específicas: altura, posição horizontal, angulação dos dedos e velocidade. A velocidade da colhedora é um dos fatores que mais influencia nessas perdas. Estudos da EMBRAPA mostram que quanto maior a velocidade da colhedora, maiores serão as perdas no processo de colheita. Essas perdas ficam em níveis aceitáveis quando a velocidade de deslocamento fica na faixa de 4,5 a 5,5 km h-1.

A barra de corte também apresenta regulagens específicas. A altura de corte depende exclusivamente da cultura que será colhida. Na cultura da soja, a plataforma deve trabalhar rente ao solo para colher todas as vagens da planta, evitando sobras de vagens não colhidas na lavoura. Nessa regulagem, é sempre importante realizar as devidas aferições nos sensores da flutuação da plataforma para que ela copie o solo de forma correta, realizando um perfeito corte das plantas de soja. A barra de corte e seus componentes (navalha e contra navalhas) devem estar em perfeito estado de conservação, pois facas cegas e dedos das contra navalhas, quando mal regulados, diminuem a ação de corte e aumentam a vibração das plantas, resultando em debulha antecipada das vagens e fazendo com que os grãos caiam fora da plataforma. 

O caracol, ou sem-fim, deve ter sua altura ajustada de maneira que permita a passagem das vagens da cultura da soja sem que ocorra a debulha, evitando, assim, desperdícios de grãos. A velocidade de trabalho deve ser baixa nessa colheita, pois a soja apresenta fácil debulha e, quanto maior a velocidade do caracol, maior será a debulha das vagens. Visando minimizar essa perda na plataforma, as empresas desenvolvedoras de máquinas agrícolas criaram a plataforma Draper, que traz inúmeras vantagens ao produtor, como  uma menor perda de grãos, uniformidade de alimentação da máquina, maior flexibilidade do sistema, fatores que permitem copiar melhor o solo, dando mais agilidade e diminuindo o consumo de combustível.

 

O sistema de limpeza das colhedoras é composto por um sistema nomeado de Bandeja de Alimentação que realiza a distribuição dos grãos pela peneira superior, peneira inferior, pela retrilha, conhecida também como extensão da peneira superior, pelo ventilador e pelos defletores. 

As perdas nesse sistema de limpeza são resultados da má separação dos grãos da palha, causada principalmente pela má regulagem das peneiras e do ventilador com velocidade e fluxo de ar incorretos. 

A correta regulagem do sistema de limpeza é de suma importância para a redução das perdas no momento de colheita da cultura da soja. A peneira deve ser selecionada e regulada de acordo com o grão que será colhido, podendo ser do tipo escamas ou de furos.

De acordo com o professor e doutor Walter Boller, da Universidade de Passo Fundo (RS), a regulagem da peneira inferior deve ser realizada no momento da colheita, com a peneira totalmente fechada, depositando uma amostra dos grãos que estão sendo colhidos em cima da peneira superior. Além disso, deve-se realizar a abertura das peneiras até que os grãos passem por elas e, ao passarem, recomenda-se aumentar a abertura (50% maior do que a peneira inferior) em uma ou duas posições.

O sistema de retrilha está diretamente ligado ao sistema de limpeza. Caso o operador queira saber qual material está sendo deslocado pelo elevador durante a colheita, ele deve parar a máquina, desligar o motor, a plataforma e a trilha para, então, conferir o material que está fluindo pelo elevador. Caso ocorra excesso de grãos livres, deve ser realizada a regulagem das peneiras aumentando a abertura da peneira inferior ou reduzindo a abertura da peneira superior. Se for encontrado excesso de material não trilhado, o operador deve aumentar a rotação do rotor ou fechar um pouco a abertura do côncavo. 

Na unidade de trilha, o que causa perdas consideráveis dos grãos é o desgaste excessivo das peças móveis do cilindro ou do rotor. Para evitar que isso aconteça, é preciso prestar atenção ao desgaste excessivo das gengivas, procedendo com a troca das peças. As peneiras devem trabalhar de forma alinhada e sem folgas, os mancais do complexo de trilha e separação de grãos não devem apresentar folga e devem ser periodicamente verificados e engraxados no decorrer da colheita.

Estar sempre atento aos detalhes faz total diferença no momento da colheita. Para evitar perdas, é recomendado realizar a manutenção preventiva, trocar as peças que estejam com vida útil ultrapassada, efetuar a melhor regulagem da colhedora e, é claro, sempre colher na velocidade ideal. 

As perdas que ocorrem durante o processo de colheita vão afetar diretamente o lucro da lavoura de soja, ou seja, todos os cuidados realizados durante o plantio, manejo e condução da cultura podem ser perdidos se não tivermos um cuidado primordial com a operação de colheita.

 

REFERÊNCIAS

BOCK, Rômulo et al. Perdas na colheita mecanizada da soja em função da velocidade de deslocamento e índice de molinete/Losses in mechanized harvesting of soybean as a function of the speed of displacement and index of reel. Brazilian Journal of Development, v. 6, n. 6, p. 34707-34724, 2020.

 

BOLLER, Walter. Colheitadeira. A granja. Porto Alegre, 783 ed.  2014. Disponível em: https://edcentaurus.com.br/agranja/edicao/783/materia/5870.

LEMOS, Filipi José Arantes. MECANIZAÇÃO AGRÍCOLA: colheitadeiras axiais e radiais. 2018.

 

MAFINI, Humberto. Danos mecânicos em sementes de soja causados por diferentes mecanismos de colheita. Ijuí-RS, 2016.

 

MARCONDES, Maria Celeste; MIGLIORANZA, Edison; FONSECA, Inês Cristina Batista de. Danos mecânicos e qualidade fisiológica de semente de soja colhida pelo sistema convencional e axial. Revista Brasileira de Sementes, v. 27, n. 2, p. 125-129, 2005.

 

MARQUEZ, Luiz. Debulha e separação através de rotor de fluxo axial nas colhedoras de grãos. Agri World, ano 7, n. 23, p. 32-42, 2016.

 

NESPOLO, Gustavo Pezzini et al. Qualidade fisiológica de sementes de soja em função da colheita mecânica com sistema de trilha radial e axial. Campo Digital, v. 14, n. 1, 2019.

 

PINHEIRO, Plinio Pacheco. Opções para colher bem. Cultivar máquinas, ano 12, nº 141, p. 8-13, jun. 2014.

 

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