Como o manejo influencia o potencial produtivo do milho
Priscila Carvalho da Silva
Biotecnologista – Drª em Produção Vegetal.
Analista de Serviços Agronômicos da GDM Sementes
Na cultura do milho, o potencial produtivo começa a ser definido antes da emergência, inicia-se com as tomadas de decisões corretas de manejo. Fatores como regulagem da plantadeira, manejo do nitrogênio e uso adequado de herbicidas são estratégicos e influenciam diretamente no estabelecimento do estande e o desempenho produtivo ao longo do ciclo.
1º Pilar: Boas Práticas de Plantabilidade
Um plantio bem executado assegura distribuição uniforme, profundidade correta, bom contato semente-solo e emergência homogênea. A cultura do milho apresenta baixa capacidade de compensação, falhas, plantas duplas ou dominadas aumentam a competição por recursos. Por isso, o ajuste de discos, anéis, singuladores, vácuo, profundidade e velocidade devem ser tratados como prática técnica essencial.
A profundidade de plantio é condicionada pela temperatura, umidade e tipo de solo. Em solos mais pesados ou frios, recomenda-se em torno de 3 a 5 cm; em solos arenosos, 5 a 7 cm para melhor aproveitamento da umidade. Plantios muito rasos (<2,5 cm) limitam o enraizamento e a ancoragem, enquanto profundidades excessivas (>8 cm), dependendo do solo, aumentam o consumo de reservas, atrasam a emergência e elevam a desuniformidade do estande.
Da mesma forma, a velocidade de semeadura deve ser ajustada adequadamente, pois operações muito rápidas aumentam o risco de rebote das sementes, falhas, duplas, oscilação de profundidade, podendo elevar a incidência de plantas dominadas, especialmente em áreas com maior presença de palhada. Como referência, de acordo com a tecnologia da plantadeira, sugerem-se as seguintes velocidades: semeadoras de disco de 4 a 6 km/h; e semeadoras pneumáticas de 6 a 8 km/h (Paulo Arbex, 2020).
2º Pilar: Adubação de Cobertura
O nitrogênio (N) é essencial para o milho, está relacionado a processos estruturais e fisiológicos, além de influenciar nos componentes de rendimento. Cerca de 60% do N é absorvido durante a fase vegetativa e 40% do R1 à granação, via absorção do solo e redistribuição interna, o que torna a adubação de cobertura estratégica. O N absorvido nos estádios iniciais (V4) pode ser armazenado e posteriormente remobilizado para os grãos, favorecendo o enchimento e reduzindo perdas sob estresse na fase reprodutiva.
3º Pilar: Manejo de Herbicidas
Cada biotecnologia confere tolerância específica, baseada em processos de detoxificação metabólica ou de sítio de ação. Dessa forma, a planta mantém seu metabolismo funcional quando o herbicida é aplicado de acordo com as recomendações técnica. Doses elevadas, misturas inadequadas ou aplicações fora do estádio recomendado, como exemplo, após V5, podem ocasionar estresse fisiológico, “fitotoxicidade oculta” e desarranjos nos componentes de produção.
“Boas práticas de manejo devem ser integradas. Plantar bem, nutrir no momento correto e manejar herbicidas com segurança são essenciais para construir e proteger o potencial produtivo da lavoura.”
