Safra de soja 2026/27: panorama, projeções e análises por região do Brasil
Resumo rápido
- A Conab projeta produção recorde de 181,62 milhões de toneladas de soja na safra 2026/27;
- A área plantada deve crescer 1,4%, enquanto a produtividade média tende a recuar 0,8%;
- No Centro-Oeste, Sul e Sudeste, o plantio avança em ritmos distintos, condicionado pela umidade de solo e pelas chuvas;
- No Norte e Nordeste, a semeadura depende da regularização das chuvas, com o El Niño elevando as incertezas climáticas;
- As exportações devem atingir 117,96 milhões de toneladas, enquanto o biodiesel impulsiona o esmagamento da soja.
Dados da consultoria AgRural apontam que, até a metade de outubro, o plantio de soja havia atingido 26% da área prevista para a safra 2026/27.
O avanço nas operações de plantio é superior ao ritmo da safra passada, que, no mesmo período, registrava 24% da área já semeada.
As projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra de soja 2026/27 apontam para um crescimento de área e de produção da oleaginosa, embora a produtividade média deva sofrer retrações em comparação ao ciclo anterior.
Contudo, se confirmadas, as 181,62 milhões de toneladas previstas para esta safra deverão estabelecer um novo recorde para a produção brasileira de soja.
Abaixo, você confere as projeções, expectativas e análises para a fase inicial da safra de soja 2026/27 nas principais regiões produtoras da oleaginosa no Brasil.
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Safra de soja 2026/27 no Brasil: projeções de área, produtividade e produção
Segundo projeções da Conab divulgadas em 15 de outubro de 2026, a safra de soja 2026/27 deve atingir área de 49,31 milhões de hectares, um crescimento de aproximadamente 1,4% em relação à safra passada.
Entretanto, caso o número se confirme, essa será a menor expansão percentual registrada nos últimos 20 anos. Conforme o boletim, o crescimento moderado é resultado do “estreitamento das margens dos produtores e da menor atratividade econômica para a incorporação de novas áreas.”
As incertezas climáticas para a safra 2026/27 devem ser, segundo a companhia, um dos fatores que tendem a refletir em uma menor produtividade média estimada para esta safra.
De acordo com o boletim, a produtividade média deve recuar 0,8% em relação ao ciclo 2025/26, que contou com produtividades recordes em diversos estados.
Ainda assim, a Conab estima que a produção brasileira deve atingir 181,62 milhões de toneladas, um aumento de 0,7% em relação às 180,4 milhões de toneladas registradas em 2025/26.
Com isso, esse crescimento deverá ser suficiente para estabelecer um novo recorde para a produção brasileira de soja.
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Safra de soja 2026/27 no Centro-Oeste
Na região Centro-Oeste, a semeadura da soja na safra 2026/27 ainda está em fase inicial, e o ritmo depende da normalização do regime de chuvas e da umidade de solo. Ainda assim, a região é a que registrou os maiores avanços percentuais nas operações até o momento.
No Mato Grosso, o regime de chuvas se regularizou, melhorando as condições para a semeadura e contribuindo para uma intensificação das operações. Informações divulgadas pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), referentes ao dia 16 de outubro, apontam que o plantio no estado atingiu 51,86% da área prevista.
A perspectiva estadual é de continuidade no aumento da área, mesmo com os riscos associados ao El Niño, como veranicos. Entretanto, a Conab afirma que é provável que ocorra uma redução no pacote tecnológico, em função das condições de aquisição de insumos e da maior cautela nos investimentos.
Em Goiás, a companhia estima que a área cultivada deverá se manter estável em comparação à safra passada. No estado, o mês de setembro foi marcado por contrastes climáticos, permitindo com que a semeadura fosse iniciada de forma pontual, apenas em áreas irrigadas e em poucas localidades de sequeiro. Dessa forma, a previsão de chuvas mais regulares em outubro é determinante para a intensificação do plantio.
No Mato Grosso do Sul, com exceção das regiões Nordeste e Extremo-Norte, a semeadura tem sido marcada por chuvas bem distribuídas e temperaturas adequadas, que favoreceram a emergência das plântulas.
A semeadura está concentrada nas regiões Sul e de fronteira e deve se estender até o início de dezembro. Conforme a Conab, o alto volume de chuvas e os curtos intervalos de sol têm dificultado as operações e podem atrasar o plantio, sobretudo entre produtores que contam com menor disponibilidade de máquinas.
Já no Distrito Federal, a entidade aponta que os produtores aguardam a normalização das chuvas e das melhores condições de umidade do solo para darem início aos trabalhos de semeadura, que devem se concentrar, sobretudo, no mês de novembro.
Produtividade estimada no Centro-Oeste: 3.833 kg/ha (–1,33% em relação à safra passada)¹
- Produtividade estimada no Mato Grosso: 3.889 kg/ha (–2,01%)
- Produtividade estimada em Goiás: 3.908 kg/ha (–0,05%)
- Produtividade estimada no Mato Grosso do Sul: 3.575 kg/ha (–0,77%)
- Produtividade estimada no Distrito Federal: 4.038 kg/ha (–0,04%)
¹Dados divulgados pela Conab em boletim publicado no dia 15 de outubro de 2026
Safra de soja 2026/27 no Sul
Na Região Sul, a semeadura da soja na safra 2026/27 avança em ritmos distintos entre os estados, com o excesso de umidade sendo o principal ponto de atenção nas lavouras da região.
No Paraná, o plantio da soja atingiu 39% da área prevista, segundo boletim divulgado pelo Departamento de Economia Rural do estado (Deral/PR), referente ao dia 13 de outubro.
Entretanto, conforme reportado pela Globo Rural, as chuvas intensas sobre o Centro-Sul do estado, influenciadas pelo El Niño, têm interrompido os avanços das operações de semeadura da soja. Ainda, de acordo com a Conab, a elevada umidade aumentou os riscos fitossanitários e causou falhas pontuais nos estandes nas áreas já semeadas.
Na maior parte do Rio Grande do Sul, a semeadura ainda não teve início. Com o calendário regular tendo começado em 1 de outubro, após o final do vazio sanitário, a semeadura ainda se encontra em níveis incipientes, com a maioria dos produtores aguardando condições mais favoráveis para iniciar ou ampliar a implantação das lavouras.
De acordo com a Conab, a expectativa de maior regularidade de chuvas durante a safra 2026/27 no estado sustenta a recuperação da produtividade em relação a safras passadas, marcadas por estiagens. Entretanto, em algumas regiões, as expectativas são mais cautelosas, segundo a entidade.
Em Santa Catarina, o plantio teve início nas regiões Oeste, Extremo-Oeste e Meio-Oeste, favorecido por janelas de tempo firme. No Planalto Norte e nos demais municípios da Região II, os agricultores seguem na etapa de preparo, com inícios pontuais no plantio.
De acordo com a Conab, a disponibilidade hídrica é favorável ao início da safra, mas os solos tiveram elevada umidade em vários períodos.
Produtividade estimada no Sul: 3.375 kg/ha (+3,08% em relação à safra passada)¹
- Produtividade estimada no Paraná: 3.749 kg/ha (–0,74%)
- Produtividade estimada em Santa Catarina: 3.856 kg/ha (+0,15%)
- Produtividade estimada no Rio Grande do Sul: 2.993 kg/ha (+8,08%)
¹Dados divulgados pela Conab em boletim publicado no dia 15 de outubro de 2026
Safra de soja 2026/27 no Norte
Na Região Norte, a semeadura da safra de soja 2026/27 está em fase inicial e se estenderá até janeiro de 2027. O avanço depende da retomada gradual das chuvas.
No Tocantins, a janela de semeadura da soja começou em 1 de outubro e se estenderá até 15 de janeiro de 2027. A precipitação prevista para o mês de outubro, de 40 mm a 100 mm, com maiores volumes nas regiões Oeste, Noroeste e do Centro, deve possibilitar um maior avanço das operações de plantio nessas regiões.
Em Rondônia, a abertura da semeadura ocorreu em setembro e os plantios devem ocorrer até 9 de janeiro. Em dado divulgado em 15 de outubro, a Conab apontou que há registros pontuais de semeadura no estado, com 0,3% da área em emergência.
As condições climáticas têm evoluído de forma favorável ao início dos trabalhos de semeadura no estado com a retomada gradual das chuvas. Entretanto, a entidade afirma que o monitoramento segue sendo fundamental frente às incertezas quanto à distribuição e regularidade das chuvas no início da safra, associadas à ocorrência do El Niño.
Produtividade estimada no Norte: 3.572 kg/ha (–3,84% em relação à safra passada)¹
- Produtividade estimada no Tocantins: 3.464 kg/ha (–4,88%)
- Produtividade estimada em Rondônia: 3.806 kg/ha (–3,08%)
¹Dados divulgados pela Conab em boletim publicado no dia 15 de outubro de 2026
Safra de soja 2026/27 no Nordeste
Na Região Nordeste, a semeadura da soja de sequeiro na safra 2026/27 ainda não começou, e o ritmo depende da chegada das chuvas. O cenário é de atraso, devido à influência do El Niño, e os produtores aguardam condições climáticas mais favoráveis para iniciar o plantio.
Na Bahia, os agricultores aguardam maior quantidade de chuvas para realizar o manejo do solo e dar início à semeadura da soja na safra 2026/27. Segundo a Conab, os últimos 30 dias no estado foram marcados pela escassez de chuvas, que tem impedido o início das operações no sequeiro.
Em lavouras irrigadas, o plantio teve início, mas as altas temperaturas registradas, junto à baixa umidade, podem prejudicar a fase inicial do desenvolvimento vegetativo.
No Maranhão, o plantio deve começar em outubro, devido ao período de vazio sanitário no estado. A semeadura deve ter início na região Sul, a depender da regularidade das chuvas, e se estender até fevereiro de 2027.
No Sul do estado, a Conab registra a previsão de manutenção ou aumento moderado da área de soja. Entretanto, com a tendência de atraso nas chuvas, a área esperada poderá sofrer alterações nos próximos meses. Na região de Balsas, a entidade aponta que as chuvas estão previstas para acontecer apenas em novembro.
No Piauí, historicamente a semeadura ocorre praticamente por inteiro em novembro na região Cerrado do Sudoeste. Porém, com o El Niño, a Conab registra que o plantio deve atrasar e avançar para os meses de dezembro e janeiro.
Mesmo assim, a perspectiva da entidade, conforme boletim divulgado em 15 de outubro, é de aumento de área. A produtividade, por outro lado, deve ser inferior à média registrada na safra anterior.
Produtividade estimada no Nordeste: 3.807 kg/ha (–4,03% em relação à safra passada)¹
- Produtividade estimada no Maranhão: 3.488 kg/ha (–1,80%)
- Produtividade estimada no Piauí: 3.733 kg/ha (–5,87%)
- Produtividade estimada na Bahia: 4.069 kg/ha (–4,48%)
¹Dados divulgados pela Conab em boletim publicado no dia 15 de outubro de 2026
Safra de soja 2026/27 no Sudeste
No Sudeste, as operações de semeadura da soja na safra 2026/27 também estão em estágios iniciais.
Em São Paulo, o mês de setembro foi marcado por altos volumes de chuvas. No Sudeste do estado, região onde se concentram as maiores áreas de soja, o acumulado passou de 200 mm a 300 mm acima da média, conforme a Conab.
Esse cenário atrasou a colheita do trigo e fez com que muitos produtores adiassem o plantio da soja ou começassem o plantio sobre a palha de trigo com solo encharcado – o que, somado às baixas temperaturas, tem causado compactação e anomalias de germinação.
Entretanto, apesar do atraso nos plantios, a expectativa da Conab é de área estável ou em crescimento.
Em Minas Gerais, o plantio da soja foi liberado no dia 1 de outubro, após o encerramento do período de vazio sanitário. Contudo, a área plantada no estado ainda é incipiente.
Produtividade estimada no Sudeste: 3.834 kg/ha (–1,33% em relação à safra passada)¹
- Produtividade estimada em São Paulo: 3.784 kg/ha (–1,58%)
- Produtividade estimada em Minas Gerais: 3.863 kg/ha (–1,20%)
¹Dados divulgados pela Conab em boletim publicado no dia 15 de outubro de 2026
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Mercado da soja em 2026/27: tendências e perspectivas
Em boletim publicado no dia 15 de outubro, a Conab projeta exportações de 117,96 milhões de toneladas de soja em grãos na safra 2026/27, 1,76 milhão a mais que na safra anterior, em crescimento moderado diante da oferta brasileira limitada e da maior concorrência dos Estados Unidos, que podem ter uma produção recorde.
No mercado interno, a possível ampliação da mistura de biodiesel ao diesel deve elevar o consumo de óleo de soja e levar o esmagamento a 63,76 milhões de toneladas, 1,97 milhão a mais que no ciclo anterior.
A produção de farelo deve chegar a cerca de 49,08 milhões de toneladas, enquanto a de óleo deve alcançar 12,78 milhões. As exportações de farelo devem subir 3,06%, enquanto as de óleo devem reduzir em 26,32%, com mais óleo direcionado ao biodiesel.
Segundo a Conab, os estoques seguem suficientes, sem risco de desabastecimento, mas mais apertados, o que deixa o mercado mais sensível a perdas de produtividade ou mudanças na demanda e nas exportações.
